segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Uma boa noite.

Curitiba - 30 de novembro de 2009 - 23:29
22 Graus Celsius.


Até registrei com um print screen, ó...












A noite está bela e com temperatura agradável. Parte do céu estrelado, parte do céu com nuvens dispersas e entre elas uma belíssima lua crescente. A noite propícia para um passeio, há quem dirá "um passeio à dois".

Mas como bom solteiro e que mora sozinho, preferi uma pequena caminhada e "jantar" no posto de gasolina, que a propósito, tem um ótimo pastel assado sabor quatro queijos. Fora isso, não estou afim de fazer peripécia alguma na minha cozinha, que está limpa, obrigado. Lá vou eu para minha mini pernada noturna, afinal o posto é quase na esquina de casa. Caminho lentamente apreciando o silêncio da região, as luzes dos poucos carros e os latidos de um cão que está no veterinário. Dobro a esquina e na metade da quadra vejo as luzes da Praça da Ucrânia, luzes amareladas, o que dá uma ótima fotografia. Chego no posto e faço minha refeição medíocre, que apesar de o pastel ser ótimo ainda assim é medíocre jantar isto.

Na volta sigo o caminho degustando uma deliciosa barra de Shot. Adoro chocolate. Cruzo com um casalzinho subindo de mãos dadas, um casalzinho bem feliz e risonho. Sinto uma inveja. Mas não uma inveja ruim, uma inveja sadia. Penso como seria bom se eu tivesse um "parzinho" também, afinal a vida de solteiro pode ser uma aventura noturna diária. Mas eu queria sim, fazer parte daquela imagem. As mãos dadas, os sorrisos, o brilho nos olhos. Ao sentido que vou caminhando na direção do casalzinho penso em como estou mais velho, mais maduro. As vezes penso que posso acabar sozinho, que não sentirei mais aquele frio na barriga e a ansiedade de encontrar a mulher que eu gosto.

Tudo bobagem. Hoje recebi, indiretamente, elogios de uma mulher linda. "Estou no ponto", segundo ela. Claro que escrevendo isso aqui pensei num monte de besteiras, sendo eu um grande "fanfarrão". Mas vejo que por mais que as vezes pense que vou ficar sozinho, sem ter a minha alma gêmea, percebo que não é bem assim e que as coisas devem acontecer dentro do seu tempo. Posso não ser mais um adolescente. Posso ter milhares de responsabilidades, mas isso não tira a minha vida, a minha ânsia de viver um amor verdadeiro, na verdade isso só afirma ainda mais a minha capacidade de ainda fazer parte de uma fotografia assim, do casalzinho caminhando à toa, sob um luar maravilhoso, numa das belas ruas de Curitiba.

O casalzinho passa por mim e eu quase sem querer largo um sorriso de canto de boca. Achando a cena bonita e suspirando, sabendo que vou viver isso, mais cedo ou mais tarde.

Chego em casa, sento aqui e escrevo pensando num monte de coisas bonitas, mas como bom solteiro e fanfarrão, pensando no monte de piadas que eu poderia ter feito sobre isso.

É a vida, bela e imperfeita, como deve de ser.


Boa noite aos casaizinhos. Boa noite aos solteiros.

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Fora isso...

- Até em função do que escrevi, um suspiro: Ai ai...

É verdade. É verdade.

- É amiguinhos, reveillon chegando, o que vocês vão fazer, me contem?! Eu vou pra Florianópolis ver meu pai e meus irmãos. Mas vou para uma casa alugada com meus melhores amigos aqui de Curitiba. Delicia, não?!

- Morrendo de vontade de compartilhar o reveillon com "alguém".

- Acaba de entrar pela sacada um objeto voador não identificado. Um bicho daquele tamanho eu nunca tinha visto, vai acabar quebrando a lâmpada do quarto se continuar batendo nela desse jeito... hahahahahaha.


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Beijos e abraços para José, Rita, Aline, André, Phi, Suzane, Rafa, Rodrigo e Eliz, que vão curtir um reveillon comigo.


Um beijo para Miss Bico. Hahahahahaha...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Proporções.

Eu sou afortunado, sabia? Eu tenho muitas coisas. Tudo "proporções".

Eu tenho meu carrinho, tenho meu apê, tenho minha "lujinha" e tenho bons amigos.
Estas coisas que tenho me proporcionam diversas outras coisas.
Ter meu Fusca proporciona passeios agradáveis no fim de semana e a correria diária de ser gente grande.
Meu apê proporciona momentos de descanço, conforto e momentos de bom papo, que é quando um povo se reune lá para jogar conversa fora. Proporciona também momentos de solidão, mas isso as vezes é até saudável, faz pensar melhor.
A minha "lujinha" proporciona trabalho. Trabalho árduo proporciona lucro que por sua vez proporciona minhas contas pagas, meus passeios, minhas viagens e meus gastos inúteis. Se bem que quase não tenho saído, mas isso proporciona "poupança".
Meus amigos, ah os meus amigos. Estes proporcionam tudo o que uma familia poderia oferecer. Ok, quase tudo. Quando se está sozinho numa cidade grande, valoriza-se ainda mais as amizades e as minhas, desculpem-me, são as melhores. Me proporcionam momentos de risadas incontroláveis, discussões polêmicas sobre os mais diversos assuntos e até quando preciso, me proporcionam "ombro" para minhas lamúrias.

Como pode-se ver, tenho muitas coisas e em boas proporções. Tenho tudo o que preciso para ser feliz. Mas inafortunadamente, não tenho tudo o que desejo. Como perfeito "cerumano", sempre quero mais, mas mesmo querendo mais eu trocaria tudo o que citei acima por uma única coisa, uma única pessoa. Uma pessoa que existiu, não existe mais e jamais voltará a ser o que um dia foi para mim.


24 de novembro de 2009. tic-tac-tic-tac.

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Fora isso...


- Depois de muito tempo sem escrever por falta de tempo ou vontade, quem sabe um misto disto, escrevi denovo mas preferia estar falando. Ok?

- Acho que talvez por ficar mais no twitter, acabo esquecendo o blog. Já até havia comentado isso aqui.

- No twitter muita gente acha que o fato de socializar por lá pode ser que a pessoa aqui esteja "xavecando" o coleguinha. Engâno hein.

- Não pensem que estou triste, acabado e derrotado. Os próximos dias serão pouco mais difíceis por conta de um determinado evento, mas logo passa e eu continuo feliz com as atuais conquistas.





Abraços!

domingo, 8 de novembro de 2009

Choose life.

Choose life.
Choose a job.
Choose a career.
Choose a family.
Choose a fucking big television!
Choose washing machines, cars, compact disc players and electrical tin openers. Choose good health, low cholesterol, and dental insurance.Choose fixed interest mortgage repayments.Choose a starter home.
Choose your friends.Choose leisurewear and matching luggage. Choose a three-piece suite on hire purchase in a range of fucking fabrics.Choose diy and wondering who the fuck you are on a Sunday morning.Choose sitting on that couch watching mind-numbing, spirit-crushing game shows, stuffing fucking junk food into your mouth. Choose rotting away at the end of it all, pissing your last in a miserable home, nothing more than an embarrasment to the selfish, fucked up brats you spawned to replace yourself. Choose your future. Choose life. But why would I want to do a thing like that?
I chose no to choose life..I chose something else.And the reasons?
There are no reasons.


From Trainspotting.

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Bem foda né?!

=)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Mas doutora...

Mas doutora, por que tem que ser assim? Eu simplesmente lembro, do nada. Posso ficar semanas sem falar absolutamente nada que me lembre, mas as vezes no meio das conversas mais aleatórias, eu lembro! É tipo um flash, um relâmpago ou sei lá o que. Por que isso acontece?! Eu não queria que fosse assim.

(pausa)

- Hmmmmm... Uhummm... Sei sei, mas...

Pois é doutora, mas não tem como explicar mais. É basicamente isso. Como eu posso, inconscientemente lembrar de algo que me incomoda tanto?! E o pior é que quase sempre eu lembro com ternura, como algo bom e com o maldito sorriso no canto dos lábios. Por que isso?! A senhora pode me explicar?

(pausa)

- Hmmmmm... hmmmm... Não. Mas eu acho que você deveria procurar uma psicóloga pra te ajudar com isso, agora, se você ficar quietinho eu posso continuar o tratamento de canal, ta bom querido?!


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Fora isso...


O feriado foi bem legal.

Ponto.



Vamo trabalhá!



Abraço pra todos!

sábado, 31 de outubro de 2009

Meu Fusquinha.

Já lhes falei do meu Fusca? Não? Então eu vou contar.

Meu primeiro carro em Curitiba foi um Fusca. Eu o adquiri em estado deplorável de uso e na época, como eu possuia pouquíssima verba disponivel fiz somente o necessário para rodar. Gastos ao todo R$ 1.600,00, tempos depois acabei vendendo ele por R$ 3.000,00. Como pode-se perceber, sou bom negociante.

A partir deste Fusca comecei a trocar de carro e sempre evoluindo até chegar num Mille EP, completinho, rosa escuro vermelho, mais bordô do que vermelho. Este só me trouxe alegrias até ser roubado.

Foram-se oito meses penando de ônibus para trabalhar e saindo de carona com os amigos até que enfim, adquiri um novíssimo Mille Fire. Verde "musgo", impecável e econômico. O carro era excelente. Fiquei com ele até o dia 5 de janeiro deste ano, quando um "herói" com uma Ford Ranger resolveu furar um sinal vermelho e acertar a minha porta, fazendo o carro capotar. Niguém se feriu (bem que eu queria dar uns tapas naquele burro), porém do carro, nada sobrou. Nada.

É aí que entra o meu atual Fusca. Todo original, 1985, motorzinho 1300 a gasolina. Todo bonzinho, só precisa de um "banho" de tinta pra ficar "zero".

Até o dia do acidente minha vida estava a pleno vapor. Tudo dando certo, maravilhosamente bem. Eu estava muito bem empregado, fechando um apartamento numa região privilegiada de Curitiba, tinha um bom carro e tinha também uma namorada. Eu gostava muito de tudo isso, mas maldita a hora que resolvi passar naquela maldita rua.

Depois do acidente, fiquei dez dias em casa, de atestado médico. Eu preocupado com o trabalho e as pessoas se preocupando comigo. Então "achei" o meu Fusquinha.

Eu já tinha visto ele antes mas a antiga proprietária na época não aceitou minha proposta. Mas Ok. Fusca visto, bom estado de mecânica e lata. Vambora!

A vida voltava ao eixo, certo?!

Errado!

Dias depois de abraçar o Fusquinha e o apartamento bacaninha, me demitem da empresa onde eu ganhava o belo salário. Mas tudo bem. As coisas sempre dão certo. Ainda tenho minha namorada, meu apê e meu Fusquinha, certo?! Nã-na-ni-na-não. A namorada me chutou. Tudo isso em um mês e meio.

Mas porque falar tudo isso se o assunto era o Fusquinha?!

Simples.

Ainda tenho o meu apê e o meu Fusquinha. O apê não sai do lugar, não tem como haver incômodo com ele. Mas a parte de tudo isso, que eu achava que me daria mais trabalho, simplesmente nunca me incomodou. O meu Fusca nunca me deixou na mão e sem motivos. O meu Fusca bateu com a roda no meio-fio e nem por isso deu pt. Nunca ninguém tentou roubar ele. Nem óleo baixa do motor. O carro não me incomoda. O carro não me traz tristezas. Por mais "mongo" que seja, parece que ele se importa mais do que as pessoas de verdade, porque tudo pode estar dando errado, mas o meu Fusquinha tá ali, firme e forte. Junto comigo e sem parar, sempre seguindo na estrada.

"Quando eu crescer quero ser que nem o Herbie!"























Este ano eu só tive decepções até agora. Me decepcionei com trabalho e com pessoas. E o meu Fusca branco continua firme. Melhor que muita gente que eu conheci. Ele sim vale a pena eu me preocupar, porque ele não vai me deixar na mão a hora que eu mais precisar.



Valeu Fusquinha, por estar sempre presente!



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Fora isso...

Nada demais para acrescentar. Apenas o fato de estar cansado de ir para a noite. Só quero ficar em casa agora.





Ah!

Comprei um monitor/TV enorme, então eu estou vendendo meu monitor LCD de 15" Widescreen (R$ 150,00) e minha TVzona Samsung Tela Plana de 21" (R$ 350,00). Tudo baratinho e muito bem cuidado. Pra terem idéia, o monitor ta na embalagem original dele, com capinhas originais, cabos e até o manual. Capricho total. =DDD

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Beijo pra Li, Su Kbção, Sol e Ritão.

Abraço pro Zé, Rafão, Phi e André.

sábado, 24 de outubro de 2009

Vertigem

Part III

Acorda com o som de uma corredeira. Num primeiro momento o som da água correndo é agradável mas depois, quando tenta abrir os olhos, sente o cheiro e o gosto de terra.

Terra. O forte cheiro de terra se mistura ao sabor de bourbon da sua boca. Os olhos são ofuscados por faixos de luz que entram pelas frestas da parede de um velho galpão de madeira. Chão de terra, feno e um cavalo escuro. Permanece deitado, tentando se mexer mas em vão.

A cabeça lateja muito. Parece que tomou um porre daqueles que tomava quando ainda estava no colegial. A mente está confusa. Sua ultima lembrança é de um bar de beira de estrada. Mas não consegue saber a quanto tempo está ali. Quanto tempo faz que está jogado no chão dentro de um velho galpão? Que maldito galpão é esse?! Como foi parar ali? Sua memória está tão fraca quanto seu corpo.

- Ahh arghh... Minha cabeça! Que lugar é este?!

Sente-se fraco. Não só fisicamente, mas sente-se fraco por não ter lembrar como foi parar ali. Faz força para levantar, pois sente-se fraco demais. Ainda batendo o pó do seu casaco de couro. Naquele lugar perturbador, derrepente escuta um grito abafado:

- Hmmmm hummmmpf uhhhhhhhhmmmm mmmmmmm!

Uma mulher. Pele clara. Linda. Olhos assustados. Porque está amarrada?

- Meu Deus! Que droga está acontecendo aqui?

Ainda zonzo, vai até a mulher, ela fica ainda mais assustada, se debate enquanto ele se esforça para desamarra-la e tirar o pano de sua boca.

- Ei! Calma! Calma! Estou tentando solta-la e você não ajuda assim!

- Me tira daqui! Eles fizeram isso! Tudo culpa sua! Tudo culpa sua, seu desgraçado! Me solta!

- O que?! Olha só mocinha, eu não faço ideia de como ou porque vim parar nesse buraco. Não faço idéia do lugar onde estamos ou como vamos embora daqui! Então é bom a moça se acalmar, senão te deixo aqui para servir de comida de rato!

Silêncio. Ela fita seus olhos com uma mistura de medo e admiração. Ela sempre foi tão independente, agora sente-se fraca o suficiente para entender que precisa desse desconhecido.
Já solta, chora e acaba abraçando ele. Ele fica meio sem reação mas acaba retribuindo, sem jeito.

- Obrigada! Mas precisamos sair, eles podem voltar a qualquer momento!

- Eles quem? Você sabe o que está acontecendo? Me diz!

- Você não lembra de nada? Nadinha?

- Me sinto como se houvesse sido atropelado por um trem, como haveria de lembrar algo?

Começa a chover muito forte, trovodas e ventania. Ela o pega pela mão e o puxa. Ele segue apoia nela, pois ainda sente-se "mole".

- Vamos sair daqui. Seu carro deve estar lá fora. Vamos voltar pra cidade e lá conversamos.

Ele concorda balançando a cabeça pois não consegue pensar em nada melhor naquele momento. Seguem devagar enquanto ela o ajuda caminhar. Derrepente sente as pernas fracas demais para seguir e acaba caindo no chão.

- Aaaaah!

Quando cai, mesmo tonto, encontra um relógio embaixo de uma tábua. Aquele relógio digital lhe parece familiar. Mal consegue ler a hora e a data e em seguida desmaia.


13:46, do dia 09 de novembro de 2008.




Continua...

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Quero dedicar este trecho de Vertigem aos amigos que me incentivam na arte da escrita, ainda que seja de forma totalmente amadora.


Beijos e abraços aos amigos.

Um abraço apertado para meu pai e minha mãe.

Um aceno para você.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Eis que surjo!!

Eis que surjo novamente, das cinzas hahah

blá, monguice... ou monguisse?? FODA-SE

Enfim, tenho tido dias corridos, projeto final me consome fortemente, porém, hj me deparei com um email que preciso postar aqui, é um texto de L F Veríssimo, levemente editado/adaptado e que na verdade retrata a nova vida de alguns amigos e principalmente parentes que resolveram operar o estômago e hj esse conto é quase uma rotina...

Eis...

Um dia de merda

O que é um peido para quem está todo cagado?

A expressão do título é conhecida de todos, mas o texto que a originou é menos.

É um texto de Luis Fernando Veríssimo incluso na obra Veríssima que ele fez numa viagem para Miami. Quem não conhece, leia. Vale a pena....

Aeroporto Santos Dumont, 15:30...

Senti um pequeno mal-estar causado por uma cólica intestinal, nada que uma urinada ou uma barrigada não aliviasse.

Mas,atrasado para chegar ao ônibus que me levaria para o Galeão, de onde partiria o vôo para
Miami, resolvi segurar as pontas. Afinal de contas são só uns 15 minutos de busão.

Chegando lá, tenho tempo de sobra para dar aquela mijadinha esperta, tranqüilo, o avião só sairía às 16:30. Entrando no ônibus, sem sanitários, senti a primeira contração e tomei consciência de que minha gravidez fecal chegara ao nono mês e que faria um parto de cócoras assim que entrasse no banheiro do aeroporto.

"HAHAHAHA SOU EU RINDO MESMO... PAUSA..."

Virei para o meu amigo que me acompanhava e, sutil falei: 'Cara, mal posso esperar para chegar na merda do aeroporto porque preciso largar um barro'.

Nesse momento, senti um urubu beliscando minha cueca, mas botei a força de vontade para trabalhar e segurei a onda.

O ônibus nem tinha começado a andar quando, para meu desespero, uma voz disse pelo alto falante: 'Senhoras e senhores, nossa viagem entre os dois aeroportos levará em torno de 1hora, devido a obras na pista'. Aí o urubu ficou maluco querendo sair a qualquer custo. Fiz um esforço hercúleo para segurar o trem merda que estava para chegar na estação ânus a qualquer momento.

Suava em bicas, meu amigo percebeu e, como bom amigo que era, aproveitou para tirar um sarro. O alívio provisório veio em forma de bolhas estomacais, indicando que pelo menos por enquanto as coisas tinham se acomodado. Tentava me distrair vendo TV, mas só conseguia pensar em um banheiro, não com uma privada , mas com um vaso sanitário tão branco e tão limpo que alguém poderia botar seu almoço nele. E o papel higiênico então: branco e macio, com textura e perfume e, OPS, senti um volume almofadado entre meu traseiro e o assento do ônibus e percebi, consternado, que havia cagado.

Um cocô sólido e comprido daqueles que dão orgulho de pai ao seu autor. Daqueles que dá vontade de ligar pros amigos e parentes e convidá-los a apreciar na privada. Tão perfeita obra, dava pra expor em uma bienal. Mas sem dúvida, a situação tava tensa. Olhei para o meu amigo, procurando um pouco de piedade, e confessei sério: 'Cara, caguei!'

Quando meu amigo parou de rir, uns cinco minutos depois, aconselhou-me a relaxar, pois agora estava tudo sob controle. 'Que se dane, me limpo no aeroporto', pensei. 'Pior que isso não fico'. Mal o ônibus entrou em movimento, a cólica recomeçou forte.

Arregalei os olhos, segurei-me na cadeira mas não pude evitar, e sem muita cerimônia ou anunciação, veio a segunda leva de merda. Desta vez, como uma pasta morna. Foi merda para tudo que é lado, borrando, esquentando e melando a bunda, cueca, barra da camisa, pernas, panturrilha, calças, meias e pés. E mais uma cólica anunciando mais merda, agora líqüida, das que queimam o fiofó do freguês ao sair rumo a liberdade. E depois um peido tipo bufa, que eu nem tentei segurar.

Afinal de contas, o que era um peidinho para quem já estava todo cagado...

Já o peido seguinte, foi do tipo que pesa. E me caguei pela quarta vez. Lembrei de um amigo que certa vez estava com tanta caganeira que resolveu botar modess na cueca, mas colocou as linhas adesivas viradas para cima e quando foi tirá-lo levou metade dos pêlos do rabo junto. Mas era tarde demais para tal artifício absorvente. Tinha menstruado tanta merda que nem uma bomba de cisterna poderia me ajudar a limpar a sujeirada.

Finalmente cheguei ao aeroporto e saindo apressado com passos curtinhos, supliquei ao meu amigo que apanhasse minha mala no bagageiro do ônibus e a levasse ao sanitário do aeroporto para que eu pudesse trocar de roupas. Corri ao banheiro e entrando de boxe em boxe, constatei falta de papel higiênico em todos os cinco. Olhei para cima e blasfemei: 'Agora chega, né?' Entrei no último, sem papel mesmo, e tirei a roupa toda para analisar minha situação (que concluí como sendo o fundo do poço) e esperar pela minha salvação, com roupas limpinhas e cheirosinhas e com ela uma lufada de dignidade no meu dia. Meu amigo entrou no banheiro com pressa, tinha feito o 'check-in' e ia correndo tentar segurar o vôo. Jogou por cima do boxe o cartão de embarque e uma maleta de mão e saiu antes de qualquer protesto de minha parte.

Ele tinha despachado a mala com roupas. Na mala de mão só tinha um pulôver de gola 'V'. A temperatura em Miami era de aproximadamente 35 graus. Desesperado comecei a analisar quais de minhas roupas seriam, de algum modo, aproveitáveis. Minha cueca, joguei no lixo. A camisa era histórica. As calças estavam deploráveis e assim como minhas meias, mudaram de cor tingidas pela merda . Meus sapatos estavam nota 3, numa escala de 1 a 10. Teria que improvisar. A invenção é mãe da necessidade, então transformei uma simples privada em uma magnífica máquina de lavar. Virei a calça do lado avesso, segurei-a pela barra, e mergulhei a parte atingida na água. Comecei a dar descarga até que o grosso da merda se desprendeu. Estava pronto para embarcar.

Saí do banheiro e atravessei o aeroporto em direção ao portão de embarque trajando sapatos sem meias, as calças do lado avesso e molhadas da cintura ao joelho (não exatamente limpas) e o pulôver gola 'V', sem camisa. Mas caminhava com a dignidade de um lorde. Embarquei no avião, onde todos os passageiros estavam esperando o 'RAPAZ QUE ESTAVA NO BANHEIRO' e atravessei todo o corredor até o meu assento, ao lado do meu amigo que sorria. A aeromoça aproximou-se e perguntou se precisava de algo. Eu cheguei a pensar em pedir 120 toalhinhas perfumadas para disfarçar o cheiro de fossa transbordante e uma gilete para cortar os pulsos, mas decidi não pedir:

'Nada, obrigado.' Eu só queria esquecer este dia de merda.

* Luis Fernando Veríssimo* (verídico).

hahahahaaha muito boa...

sem mais...

despedir.